sábado, 2 de julho de 2011

ONDE APRENDER A ODIAR PARA NÃO MORRER DE AMOR?


Quero o direito de errar. Quero poder gritar, apontar o dedo, te acusar de querer alguém vulgar e não eu. Exatamente como já fiz. Quero o direito de não querer avisar ninguém que estamos juntos, de querer esconder você, de me esconder com e em você, quero o direito de esconder o amor, nesses tempos de super exposição. Quero o direito de poder discordar de mim, quando digo que não dá mais. Quero o direito de poder reclamar de ti. Quero o direito de ligar quando quiser, seja pra pedir desculpa seja pra te xingar. Quero o direito de ser menos delicada. Te acusar de insensível, imaturo, socialmente inaceitável. Quero o direito de dizer que te amo, depois de dizer tudo isso. Quero poder te chamar de idiota, cretino, meu amor. Quero que você me queira, além da poesia, além dos carinhos, nos dias doces, nos dias amargos. Quero poder desligar o celular e saber que ficará tudo bem quando ligar e eu não atender. Quero poder terminar e voltar, ir e chegar sem dar muitas explicações. Me aceita assim? Se disser que sim, eu te aceito também. Nos domingos em frente à TV, te aceito mesmo você odiando MPB. Te aceito com essa camisa apertada. Te aceito com essa fobia de família e amigos super simpáticos, te aceito mesmo quando você não entende as poesias e me pede para explicar. Te aceito com sua agenda apertada, com sua postura nada educada na hora de argumentar, te aceito com palavrões escapando, com verdades ditas para magoar, te aceito querendo ficar sozinho quando algo ruim acontece, te aceito quando me deixa em casa. Te aceito com sua mania de ler menos romances, de me instigar a voltar a compor, de me fazer tentar escrever sobre outra coisa que não amor. Te aceito com esse jeito estúpido de me pedir menos romance, mais ação. Te aceito com seu jeito menos doido, menos falante, menos alternativo. Menos eu. Mais você. Te aceito com reticências. Aceite minhas aspas, minhas exclamações, minhas vírgulas entre sujeito e verbo. Aceite esse sujeito indefinido que sou. Te aceito como um substantivo abstrato que eu não consigo tocar, só sentir.

Postado por: [Luana Gabriela][Carolina Assis]

Nenhum comentário:

Postar um comentário