sábado, 5 de junho de 2010

Ao amor que não floresceu, e que por isso mesmo se tornou inesquecível


Quantas ruas não sentiram nossos passos?
Quanto tempo deixou de passar enquanto não estávamos conversando na cozinha de sua casa?
Fotografias que não tiramos juntos.
E todas as brigas que não tivemos.
Consequentemente as, não "voltas", não "preocupações", não "sim" e não "não".
Quantas palavras deixaram de ser ditas?
Quantos pensamentos deixaram de ser pensados?
Planos não planejados.
Ás coisas simples que não perdemos e nem ganhamos pelo caminho,
O pôr do sol que não compartilhamos.
Ás decepções que deixamos de ter.
Ás poesias que não escrevi pra você.
Os olhares que não se enxergaram...
Nada de beijos,
Nada de saudades,
Nada de reencontros na praça,
Nada de sorvetes, chocolates e pedaços de frutas.
Os filhos que não tivemos,
Os netos que não acostumamos mal,
A velhice que juntos não veremos chegar, jamais!
A solidão que não saberemos encarar.
O desconhecimento de hoje,
A vida que não vivemos,
E a lembrança do amor que tivemos:
Um amor que não floresceu,
e que por isso mesmo não deixou de ser inesquecível.


Autor: Chalil Costa

Nenhum comentário:

Postar um comentário